Mostrando postagens com marcador Resenhas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Resenhas. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 26 de agosto de 2022

NEUROMANCER - Resenha

Clique na imagem para comprar.

 Ao criar o blog percebi que não tinha feito ainda uma resenha de um dos melhores livros de ficção cientifica (sci-fi), então após ler o livro pela segunda vez, decidi escrever sobre ele.

NEUROMANCER (Amazon) foi escrito por William Gibson e publicado em 1984, que é, aliás, o título de outro romance de ficção científica. A frase de abertura é, para alguém da minha geração, muito fácil de entender:

“O céu sobre o porto tinha a cor de televisão sintonizada num canal fora do ar”

A frase de abertura, é claro, data a época em que o romance foi escrito. Hoje os canais fora do ar ou “canais mortos” não mostram mais os tons de cinza que eu cresci assistindo.

Case é um traficante no submundo da cidade de Chiba. Ele costumava ser um grande hacker de computador, navegando pela realidade virtual da matrix. Mas, após roubar de um de seus empregadores temporários, seu sistema nervoso foi danificado por uma toxina que o deixou incapaz de entrar na matrix novamente.

Para voltar a ter acesso ao ciberespaço, tudo que ele precisa fazer é aceitar cometer um crime dentro da matrix. Claro que ele mergulha de cabeça, querendo nada mais do que sentir a emoção da matrix fluindo através dele novamente.  Só depois ele descobre que se trata de uma pegadinha. O trabalho que essas pessoas querem que ele execute é perigoso, e eles precisam que ele termine dentro de um certo período. Se ele não o fizer, então um certo número de micro-chips, incorporados em pontos estratégicos de seu corpo, liberarão o mesmo veneno que o danificou há muitos anos. Seu corpo está atacando esses micro-chips, e depois de um certo tempo, se seu novo empregador não os remover, os chips serão dissolvidos e Case nunca mais conseguirá entrar matrix de novo.

Tentar resumir essa história é quase um pouco ridículo porque está tão cheia de ideias e conceitos que é impossível falar tudo em poucas linhas. As coisas simplesmente acontecem, parece que foi proposital por parte do escritor, para deixar o leitor  tão perdido quanto Case estava (assim como Homero fez com Ulisses na Odisseia). Está cheio de tecnologia, história e pessoas, como o ritmo incessante de uma grande cidade a noite cheia de luzes de neon e poluição. Entre todas as várias pessoas, grupos e empresas e as múltiplas IAs (Inteligencias Artificiais), a trama está em constante fluxo e movimento. Se eu tivesse que criticar algo, poderia ser que a complexidade da narrativa pode causar uma confusão na cabeça do leitor desatento, devido à riqueza de detalhes. Esta história não é como alguns dos épicos mais modernos, fantasia ou ficção científica, que estão sendo escritos hoje e seguem um ritmo linear dos acontecimentos. É uma história que te puxa pelo braço sem te dar muitas explicações em alguns aspectos, sem te dar tempo para questionar ou o motivo de alguma personagem está fazendo algo, ela simplesmente faz.

Existem várias razões para você ler este livro. Sim, ele estava lá no início do que hoje conhecemos como cyberpunk, e é um ótimo exemplo desse gênero agora famoso. Mas também é uma ótima leitura. Ele não é um clássico da Ficção Cientifica atoa. Se você ainda não leu, leia. Está esperando por você e será um livro que você  não esquecerá tão cedo.

sábado, 20 de agosto de 2022

Matadouro-Cinco de Kurt Vonnegut | Resenha

 Clique na imagem para comprar.  

   Matadouro-Cinco(Amazon), ou  A Cruzada das Crianças: Uma Dança Compulsória com a Morte é um romance de Kurt Vonnegut, publicado originalmente em 1969. Considerado um clássico americano e um dos grandes romances antiguerra do mundo, a história é centrada no bombardeio de Dresden, na Alemanha, durante a Segunda Guerra Mundial. Acompanhamos Billy Pilgrim, um soldado do Exército dos EUA, que embarca em uma estranha odisseia enquanto luta para sobreviver como prisioneiro de guerra. A consciência de Billy se desprende no tempo, enviando-o para vários pontos de seu próprio passado e futuro, incluindo sua vida de casado após a guerra, anos de declínio após sobreviver a um grave acidente e o período que passou como exposição em um zoológico alienígena. Após passar por todas essas linhas temporais, ele sempre retorna às suas experiências horríveis durante a guerra.

  Assim que comecei este livro, não demorou para que eu percebesse que se tratava de uma boa história, uma vez que Vonnegut gosta de mostrar logo no começo qual será o futuro de suas personagens. Isso poderia ter tornado a experiência da leitura maçante, mas me vi sugado para essa história praticamente de imediato. A obra demonstra um olhar severo sobre a humanidade, envolvida em torno de um evento histórico devastador, que também foi profundamente estranho e de alguma forma cativante e sóbrio. O senso de humor do escritor mexeu muito comigo também, tão seco e prático que tornou tanto o belo quanto o sinistro de alguma forma cômicos. Apresentado de maneira tão banal, o conteúdo mais impactante não é considerado absurdo na visão do protagonista. Isso é potencializado pela repetição de certas frases, principalmente a de “É assim mesmo” após a menção de morte ou massacre, tornando-se uma espécie de piada interna entre o texto e o leitor.

  O livro tem a intenção de ser um romance antiguerra, e cumpre bem o seu papel, o primeiro capítulo contado da perspectiva do autor expressa muito de seus sentimentos sobre os horrores que viveu na guerra “… os que mais odiavam a guerra, eram os que tinham realmente combatido”. Grande parte das experiências de Billy Pilgrim são encaradas como são, sem nada romantizado, nem muita reflexão filosófica. As condições que Billy e seus colegas prisioneiros de guerra se encontram são tão terríveis, puras e simples, que falam por si. Algum otimismo pode ser notado em outras personagens no conflito, mas a experiência da guerra tem consequências claras e duradouras para os sobreviventes. Seus inimigos também são decentemente humanizados, apenas civis ou outros jovens como eles empurrados para um conflito com pouco entendimento ou poder de decisão sobre o assunto.


  O mais impressionante foi a ênfase na idade da maioria dos soldados, incluindo Billy, que mal chegaram a idade adulta, mas que tinham que tomar decisões, mesmo que isso os levasse a se tornar prisioneiros ou até mesmo a morte. Um dos momentos que mais me marcou foi quando uma cachorra estava rastreando Billy e os outros sobreviventes apos a batalha que perderam. A cadela foi “emprestada” de uma fazenda próxima. A declaração de que “Ela nunca tinha ido à guerra antes. Ela não tinha ideia de que jogo estava sendo jogado” me impressionou o suficiente para que eu realmente refletisse sobre o livro por um momento. Senti que realmente se encaixava na minha visão de que os soldados não são tipicamente o que mitificamos.

  Gostei mais do livro como uma meditação sobre a própria vida. As experiências de Billy na Segunda Guerra Mundial são bastante lineares, a história é uma peça em um mosaico da vida dele, da qual vemos muitas fases diferentes, todas fora de ordem. Às vezes ele retorna à sua juventude na universidade, seu tempo em um Hospital de Veteranos logo após a guerra, seus anos de declínio após uma carreira de sucesso em optometria e, o mais importante, o tempo que ele supostamente passa como uma exposição em um zoológico alienígena, levado na noite do casamento de sua filha. De longe, a parte mais estranha do livro, adorei a maneira como ele enquadrou a ideia do tempo como uma 4ª dimensão, que esses alienígenas podiam ver de uma só vez, mas os humanos não.

  Matadouro-Cinco me deu uma experiência profundamente satisfatória com a leitura. O livro é exatamente o que eu esperava, frequentemente seco, sombriamente engraçado e até surreal, também é comovente, direto e sincero. Você pode se sentir incomodado com a narrativa não linear, mas se você gosta de histórias com bastante plot twist, recomendo que leia.

quarta-feira, 17 de agosto de 2022

O Sol Desvelado - Resenha

clique na imagem para comprar 

  O Segundo romance que mistura ficção cientifica e historia policial, traz de volta as personagens do primeiro volume da Série dos Robôs; o educado e calculista Robô Daneel Olivaw e o detetive desconfiado Elijah Baley. No primeiro volume da série, As Cavernas de Aço (1954), Elijah foi forçado a trabalhar com o robô sideral para resolver um crime que aconteceu na terra. Agora, Baley é forçado a viajar para fora do planeta para ajudar Olivaw a resolver um assassinato no planeta Solaria.

  A história é sobre pessoas com fobias.  O detetive Baley é agorafóbico,  pois passou a vida inteira em cidades subterrâneas superpovoadas e por conta disso desenvolveu um medo de ficar em lugares abertos ao ar livre. Já os solarianos são o inverso disso, eles vivem em vastos campos abertos em propriedades distantes umas das outras, como se fossem ilhas particulares, e sua sociedade é administrada por robôs. Eles praticam um distanciamento social extremo, com medo de doenças

  Asimov mais uma vez tenta na trilogia dos robôs mostrar como se daria o comportamento humano nas sociedades futuras, construindo vários tipos de civilizações em seus romances. Tentando não focar apenas nos robôs.

  Agora Asimov mostra outro possível futuro da vida com robôs. Em Solaria, as pessoas vivem vidas isoladas em luxo futurista, cercadas por robôs. Dez mil robôs por pessoa. Elijah Baley é colocado em uma casa enorme cheia de robôs e tudo é um pouco assustador e misterioso, e não há como conduzir uma investigação. Uma trama com muito mistério e boa qualidade cinematográfica. Pode até ter sido a primeira semente de ideias que 60 anos depois daria origem a filmes como Ex Machina (2015). Nota-se também um amadurecimento na escrita de Asimov desde as primeiras histórias de Eu, Robô (1950).

  É a melhor história de robô de Asimov até agora e eu gostei muito. O romance tem um foco mais rígido do que seu antecessor As Cavernas de Aço por causa desse ambiente alienígena restrito. Na verdade, existem dois quebra-cabeças principais na história: o do comportamento do robô e o da sociedade solariana. O mistério do plot é quase dolorosamente óbvio desde o início, mas a construção do mundo de Solaria é completamente cativante e carrega o romance. Também ainda interessante é como Asimov estabeleceu regras para seus robôs e, em seguida, apresenta situações da realidade para que eles falhem. Toda a série de robôs está cheia de experimentos mentais interessantes.

Compre Aqui: (Amazon)

sexta-feira, 13 de maio de 2022

Desvendando a Ficção Científica - Final.

 

      E agora Baley olhava para Hans Fastolfe, um homem que se desviava muito visivelmente das normas e aparências espaciais; o terráqueo sentiu uma profunda gratidão por isso. “Você não aceita comida?” pergunta Fastolfe, ele indicou a mesa que separava Daneel e ele do homem da terra, ela (a mesa)  não tinha nada além de uma tigela de esferoides multicoloridos,  Baley sentiu-se vagamente surpreso por tê-los confundidos com enfeites de mesa. Daneel explicou: "Essas frutas são naturais, plantadas no planeta Aurora, eu sugiro que coma, pois tem um gosto semelhante ao de maçã”.  Fastolfe sorriu, R. Daneel não sabia disso por experiência pessoal, é claro, mas ele estava certo.  Baley mordeu uma das esferas e percebeu que apesar de ser vermelha por fora a estranha fruta era verde por dentro e era fria também, e tinha um odor fraco, más, agradável.  Ele sentiu dificuldade ao morder a fruta e a acidez inesperada machucou o seu dente, ele mastigou com cuidado.

       Os habitantes da cidade espacial achavam normal o gosto da fruta, é claro. Sempre que podia Baley substituía as rações por outro alimento, ele mesmo comia carne e pães naturais com frequência, mas esses alimentos sempre eram processados de alguma forma, cozidos ou moídos, misturados ou compostos. As frutas na Terra vinham em forma de molho ou conserva, a que ele está segurando agora deve ter vindo direto do solo de algum planeta, ele pensou: “Espero que eles tenham lavado pelo menos”. Ele lembrou que a noção de limpeza dos siderais era extremamente rígida.

     Fastolfe disse: “Deixe-me apresentar-me um pouco mais especificamente, estou encarregado da investigação do assassinato do Dr. Sarton na cidade espacial com o Comissário Enderby da ciada de Nova York. Eu estou pronto para lhe ajudar no que você precisar, esperamos uma solução tranquila do assunto e consequentemente iremos tomar medidas necessárias para prevenir incidentes do tipo que acontece em seu mundo.” “Obrigado Dr Fastolfe!” disse Baley. Enquanto pensava nas palavras do sideral, mordeu no centro da fruta com gosto de maçã e sentiu pequenos ovoides duros e escuros em sua boca, cuspiu automaticamente. Alguns teriam atingido as pernas do sideral se esse não tivesse se movido rapidamente. Baley embaraçado começou a tentar limpar a bagunça que fizera até que Fastolfe disse agradavelmente que estava tudo bem “Senhor Baley, deixe-os por favor.” Baley interrompeu sua ação e colocou a fruta de volta no lugar, os objetos do chão seriam queimados longe da cidade espacial para evitar a proliferação de doenças terrestres.  E a própria sala em que eles estão seria pulverizada para eliminar qualquer possibilidade de existência de algum vírus.

         Espero não ter dado muito spoiler sobre o livro, tenham em mente que isso foi inscrito em 1953, ainda assim Asimov previu videoconferência e até mesmo as medidas sanitárias provocadas por vírus, como o isolamento social permanente em alguns mundos siderais, como, por exemplo, em Solaria. É bom lembrar que a história se passa mil anos depois dos eventos de Eu, Robô e cerca de vinte mil anos antes dos eventos de Fundação. Toda a obra de Asimov está muito bem relacionada, pois existem referencias que o Robô Daneel Olivaw ainda esteja “vivo” durante a série Fundação e ele ser a força motivadora por trás dessa série. Os livros da série dos Robôs é composto por mais duas historias que dão continuidade as, As Cavernas de Aço, vale a leitura da trilogia.


Quer comprar As Cavernas de Aço e ajudar o Blog? Clique na imagem abaixo:

sábado, 23 de abril de 2022

Desvendando a Ficção Científica- parte 1

      Então, se você gosta de robô, cara, você vai adorar As Cavernas de Aço(Amazon). Eu Robô é claramente uma das primeiras versões de As Cavernas de Aço em minha opinião. Eu Robô foi escrito em 1950 e o protagonista é um detetive que não gosta de robôs que está resolvendo um assassinato relacionado a robôs e, As Cavernas de Aço foi escrito em 1953 e tem um detetive que não gosta de robôs que está resolvendo um assassinato relacionado a robôs. 

     Mas enquanto o bandido em Eu Robô era um robô clichê que deu errado, em As Cavernas de Aço é muito mais sobre intriga policial. A terra mudou e a humanidade mudou, a raça humana agora vive em 51 planetas, a Terra é apenas mais um desses planetas. Todos os mundos espaciais introduziram os robôs em sua sociedade em tal ponto que perdê-los destruiria suas economias e mudaria completamente sua maneira de viver. 

     A Terra, no entanto, ainda nutria um velho preconceito contra robôs, um ódio que já existia centenas de anos antes, durante o tempo dos robôs de ferro, um incidente que espalhou ainda mais a ideia de que todos eram inerentemente ruins para o planeta terra, porque, como você pode imaginar, um robô assassino tentou acabar com a sociedade, isso não fez muito pela opinião pública deles. Enquanto os povos espaciais os adoravam, na terra eram vistos como inimigos. Por causa disso os 50 mundos espaciais estavam à frente em avanços tecnológicos enquanto a Terra definhou. Isso transformou a Terra no porão da galáxia, pobre, ignorante, e sem recursos, comparada com os outros planetas.

    Isaac Asimov provou estar a frente de seu tempo ao criar um cenário onde os humanos nunca quiseram mudar realmente, mesmo estando inseridos em uma sociedade que desfruta de uma alta tecnologia, isso não foi o suficiente para melhorar a qualidade de vida dos terráqueos. No livro As Cavernas de Aço, a cliente de uma sapataria reclama de ser atendida por um robô e faz uma confusão ao invés de simplesmente deixar ser atendida, um  problema criado por ela mesma e não pela máquina. Então, Asimov poderia observar o futuro e constatar o provável; que as pessoas nunca realmente irão mudar.

     O livro é chamado As Cavernas de Aço, porque toda a população vive em cidades-domo que regulavam a qualidade do ar, a comida, a temperatura, qualquer coisa que precisasse de controle. A personagem principal Elijah Baley é um excelente detetive, que tem que desvendar um crime que ocorre em uma cidade espacial que é o único porto espacial que resta na Terra, um lugar administrado pelos próprios povos espaciais. 

     Os terráqueos não visitavam a cidade espacial, pois não tinham desejo de sair da Terra, e mesmo que tivessem os povos siderais nunca deixariam um terráqueo cheio de doenças frequentar seu planeta, não existia doenças virais nesses mundos, e os mundos espaciais tinham capacidade suficiente para acabar com a Terra completamente, irritá-los não seria uma boa ideia.

       Elijah Baley -ou Lijah- foi designado para solucionar o crime, no entanto, os siderais nomeiam um robô para trabalhar no caso também, uma vez que estavam com medo da ida de um humano até a cidade espacial. Temos então o casal estranho clássico: o cara que odeia robô e um robô, como os antigos seriados policiais. Ele parecia “humano” o suficiente, havia rugas finas na testa e uma certa flacidez na pele abaixo dos olhos e embaixo do queixo, seu cabelo era cinza e sem sinais de envelhecimento. As orelhas eram grandes e bem afastadas, o que dava uma aparecia engraçada, isso confortava Baley.
 

       Naquela manhã Baley foi olhar as fotos do local do crime que seu comissário enviara e R. Daneel (R de Robô) o levou até o local onde Baley encontrou um desintegrador espacial. Ao observar as fotos Baley ficou surpreso por a vítima se parecer com Daneel ao que o próprio robô esclareceu que se tratava de seu criador doutor Sarton. Ele respondeu sem emoção nenhuma que foi criado à imagem de seu criador. A frase foi uma surpresa para Baley, pois a bíblia foi divulgada de forma limitada nos outros mundos.

Continua...

Quer comprar As Cavernas de Aço e ajudar o blog? Clique na imagem abaixo:

 

sexta-feira, 15 de abril de 2022

A Saga dos Volsungos - Final


 

      Siggmund retornou para sua terra com Sinfiotli e reivindicou o reino que era de seu pai, Sinfiotli morre envenenado. Siggmund casou-se e sua esposa ficou gravida, logo em seguida ele foi derrotado em uma batalha por um guerreiro com a forma de um gigante e armadura negra que, na verdade, era o deus Odin. Na batalha a espada de Sigmund foi partida em pedaços e por fim ele ficou mortalmente ferido. Quando sua esposa o encontrou ele disse que Odin não deseja mais que ele desembainhasse sua espada, mas para ela guardar seus fragmentos  para que a espada fosse forjada novamente, assim seu filho poderia realizar grandes feitos com a arma.

  Não muito tempo, ela deu à luz a um menino chamado Sigurd, que se dizia não ter igual em qualquer lugar em conquistas e tamanho. Quando Sigurd estava mais velho ele encontrou na floresta um velho com um tapa olho que lhe deu um cavalo dizendo que o animal era descendente de Sleipnir o cavalo de Odin. Sigurd falou para seu pai adotivo que ele deveria conquistar algum tesouro para obter respeito, e que para isso iria caçar o dragão Fafnir, pois se dizia que um grande tesouro era guardado pelo maligno dragão. 

Sigurd pede que um ferreiro refaça a espada de Sigmund e para testa-la ele parte uma bigorna em duas partes. Mas, antes de enfrentar o dragão, ele vai vingar a morte de seu pai, então Sigurd forma um exército e torna-se vitorioso. Então Sigurd vai ao encontro de Fafnir e arma uma emboscada cavando um buraco com a espada e escondendo-se nele, quando o dragão rasteja por cima de Sigurd ele perfura o coração do monstro. Enquanto Fafnir agonizava  Fafnir disse que aquele tesouro seria a causa de sua morte, entre o tesouro do dragão Sigurd encontrou um anel amaldiçoado que traria a morte para seu portador (já conhece essa historia?). Então Sigurd  banha-se no sangue do dragão e come o coração da fera, depois que fez isso ele começou a entender a língua dos pássaros.

Após pegar o tesouro do dragão, Sigrud cavalgou para encontrar Brynhild, mencionada pelos pássaros. Ele cavalgou até uma fortaleza e lá dentro encontrou uma mulher dormindo, vestida com cota de malha tão apertada que parecia ter crescido em sua pele, ele usou sua espada para cortar a cota de malha acordando a mulher que parecia saber quem ele era. Ela disse-lhe que Odin havia aprisionado-a  depois que ela matou um rei que Odin havia prometido vitória em uma batalha. Brynhild compartilhou muito de sua sabedoria com SIgurd e os dois concordam em se casar.

Sigurd acabou ficando naquele reino por dois anos e meio casado com a filha do rei, um dos filhos do rei, no entanto, foi para cortejar Brynhild e eventualmente se casou com ela. Um dia as duas esposas estavam conversando quando a filha do rei revela para Bryhild que está casada com Sigurd. Brynhild fica furiosa e cai em uma profunda depressão. Sigurd foi até ela consolá-la, mas só serviu para deixa-la mais furiosa. Ela disse ao seu marido que iria matar Sigurd e seus filhos, seu marido não querendo quebrar o vínculo de sangue que ele havia jurado com Sigurd enviou o irmão mais novo para matá-lo que assassinou Sigurd enquanto dormia, embora Sigurd tenha conseguido matá-lo em seus últimos momentos. Quando a esposa de Sigurd o encontrou morto ela grita de desespero e Brynhild gargalhava. Durante o velório, Brynhild se esfaqueia e se joga na pira funeral de Sigurd.
Como mencionado este foi apenas um breve resumo de toda a Saga dos Volsungos. Muita coisa ficou de fora, porem isso deve dar uma boa ideia da natureza geral das sagas e os temas recorrentes de assassinato, traição, vingança e ganância. Essa história inspirou muitos outros contos como o Circulo do Anel de Richard Wagner e a obra de Tolkien O Senhor dos Anéis. 

  Quer comprar A Saga dos Volsungos e ajudar o Blog? Clique na imagem abaixo:

terça-feira, 12 de abril de 2022

A Saga dos Volsungos - parte 2

                        
                               O homem deixou o salão e os convidados reuniram-se para tentar puxar a espada, mas no final apenas Sigmund conseguiu fazê-lo, o rei Siggeir ofereceu três vezes o peso de todas as espadas em ouro, mas Sigmund recusou.  Siggeir deixou o reino no dia seguinte, mas antes de partir disse ao rei Volsung para vir visitá-lo com seus filhos em três meses. Três meses depois Volsung e seus filhos visitaram Siggeir, mas isso era uma armadilha que deixou Volsung morto e seus filhos presos. Porem Signy convence Siggeir de não matar seus irmãos imediatamente, mas para los tortura até a morte, mas ela tinha esperança de resgatá-los. Eles foram presos em uma floresta próxima e todas as noites uma enorme loba aparecia e devorava um deles. Nove noites depois, apenas Sigmund permaneceu vivo, Signy soube do destino de seu irmão, ela enviou um servo com mel para Sigmund, dizendo-lhe para sujar seu rosto, naquela noite quando a loba se aproximou, ela começou a lamber o mel de seu rosto e sua língua entrou em sua boca, Sigmund mordeu a língua não soltando até que a língua foi arrancada matando a loba.

                   Sigmund escapou e com a ajuda de sua irmã fugiu para floresta onde construiu uma toca no chão para morar (lembram-se de alguém?), ali permaneceu por dez anos. Signy teve dois filhos com o rei Siggeir e quando seu filho mais velho tinha dez anos, ela o enviou para Sigmund esperando que juntos eles pudessem vingar seu pai e irmãos. Para testar o garoto Sigmund falou para pegar um saco de farinha e fazer alguns pães, mas o menino se recusou dizendo haver algo vivo no saco, quando Signy ouviu isso ela disse a Sigmund que o menino não tinha coragem e ele deveria matá-lo, então Sigmund assim o fez. Um ano mais tarde ela enviou o outro filho para Sigmund, mas a mesma coisa aconteceu e Sigmund também o matou.

                                    Então Signy pediu para uma bruxa que também era criada sua, para elas trocarem de corpo por algum tempo, a bruxa era muito bonita. Naquela noite a bruxa foi para cama com o rei Siggeir e Signy com o corpo da bruxa foi até Sigmund. Achando se tratar de uma estranha Sigmund deu abrigo para a linda mulher e eles ficaram juntos por três noites. Siggny retornou e trocou de corpo novamente com a bruxa.
                         Algum tempo se passou e Signy deu à luz a outra criança e colocou seu nome de Sinfiotli filho de dois Volsungos. Antes de ele completar dez anos Siggny o enviou para Sigmund, assim como fezc com seus outros dois filhos. Mas Sinfiotli passou no teste, para endurecer o menino os dois vagaram pela floresta agindo como bandidos, matando homens por dinheiro. Quando eles foram matar o rei Siggeir, Siggny tinha mais dois filhos com ele, mas eles foram mortos por Sinfiotli. Embora tenham lutado bravamente, eles acabaram sendo capturados antes que pudessem matar o rei Siggeir, eles são colocados em um túmulo com uma pedra maciça emcima, mas Siggny escorregou a espada mágica de Sigumund, que ele usou para cortar a pedra e escapar. Então, eles queimaram o salão do rei matando ele e seus homens, bem como Siggny, que escolheu a morte também, visto que seu pai e seus irmãos foram vingados.
Continua...

Quer comprar A Saga dos Volsungos e ajudar o blog? Clique no link abaixo:

domingo, 10 de abril de 2022

A Saga dos Volsungos - parte 1

         click na imagem para comprar o livro:

                 A mitologia nórdica, assim como muitas outras mitologias, está repleta de deuses e heróis, artefatos mágicos e monstros ferozes, morte e tragédia. Provavelmente nenhuma história dentro da mitologia mostra melhor esses conceitos do que a saga dos Volsungos(Amazon). A história é certamente antiga e foi claramente importante para o povo nórdico. Este post pretende fornecer um resumo dos eventos da história e, claro, não será um substituto para a leitura da obra.

               A historia começa com um homem chamado Siggy, que dizia ser filho do deus Odin, que é conhecido por ser poderoso. Um dia Siggy foi caçar e levou o escravo de seu vizinho com ele, eles caçaram o dia todo e a noite, e quando eles reuniram suas matanças Siggy descobriu que o escravo o havia superado, Siggy desaprovou fortemente isso e matou o escravo. Ele voltou para seu vizinho alegando que o escravo fugiu, mas o homem duvidou da história, enviou um grupo de busca para procurá-lo, eles descobriram que seu corpo, e estava claro que o escravo foi assassinado e Siggy foi exilado daquela terra.

       Ele viajou com Odin e finalmente chegou a uma terra com muitos navios de guerra onde Odin forneceu-lhe um exército. Siggy torna-se um governante bem sucedido nesta terra reivindicando um reino para si. E então teve um filho chamado Rerir. Siggy eventualmente envelheceu e foi traído pelos irmãos de sua esposa que o assassinaram. Para vingar seu pai Rerir matou seus tios tomando suas terras e também reconquistou o reino que era de seu pai. Rerir teve muitas conquistas de guerra e se casou com uma mulher, mas muitos anos se passaram sem que ela lhe desse um filho e então eles oraram aos deuses por ajuda, a esposa de Odin Frigg escutou suas preces e a mulher de Rerir conseguiu ficar gravida.

  A gravidez durou um tempo extraordinariamente longo durante o qual Rerir foi para a guerra e morreu de doença. Depois de seis anos estando gravida a mulher de Rarir finalmente dar à luz a um menino bem crescido. É dito que ele beijou sua mãe antes de ela morrer. O garoto recebeu o nome de Volsung e se tornou o rei das terras que eram de seu pai. Ele provou ser um grande guerreiro ousado em todo tipo de ação, e se casou com uma Valquíria. Juntos eles tiveram dez filhos e uma filha, o nome de seu filho mais velho era Sigmund e sua filha se chamava Signy.

      Todos os filhos de Volsung foram muito poderosos com muitas histórias sendo contadas de todos os seus feitos. Com o tempo, um rei estrangeiro de nome Siggier veio a Volsung para pedir a mão de sua filha em casamento, embora Signy não quisesse se casar com o rei , Volsung fez um acordo e assim prometeu ao rei sua filha. Em sua festa de casamento, um homem entrou no salão, ninguém conseguiu identificar quem era o idoso com um olho só, usando um chapéu de abas largas, o homem caminhou até a grande árvore que crescia no grande salão do castelo e cravou uma espada no tronco da arvore. Ao fazer isso disse: “Aquele que conseguir retirar esta espada do tronco há de recebê-la de mim como um presente” (Odin?).

Continua...

Quer comprar A Saga dos Volsungos e ajudar o blog? Clique na imagem abaixo:

PECUAPÁ

*Lançada no abismo, este foi fechado e selado, proibindo-a de enganar as nações até o cumprimento de mil anos. Antes de se tornar um mendigo...